Vivemos uma nova era que traz consigo velhos problemas e clama por novas soluções. Basta abrir qualquer um dos livros de A. Toffler – O choque do futuro, A terceira onda ou Mudanças do poder, para percebermos que o futuro já chegou e que “num piscar de olhos” se tornará passado. Nessa linha divisória entre o futuro e o passado, é que vivemos, agimos, sonhamos e realizamos. Neste frágil instante a que denominamos “presente” é que somos e estamos na construção da nossa história. Entre o “ainda não é” e o “já foi” encontra-se um momento precioso chamado “agora”, num lugar igualmente precioso – ” aqui.” Enquanto escrevo este texto ou você enquanto o lê, se, por alguns segundos , desvia a atenção para o que está em volta, será fácil verificar o quanto, do que nos cerca, é natureza ( o homem simplesmente recebeu assim) e o quanto é trabalho ( o homem criou ou transformou)…
A porta, a janela, o teto que nos abriga, o ar condicionado, a música ambiente, o impresso que estamos lendo, a roupa que vestimos, os óculos que nos permitem ler, o relógio que nos traz algemados pelo braço, o cafezinho… tudo – obra humana. Para que pudéssemos vivenciar e “saborear” o nosso presente, uma infinidade de pessoas se mobilizou e, através da ação, tornou realidade o que era apenas possibilidade. Não herdamos o mundo pronto; ao contrário, muito há ainda para fazer. Somos co-criadores e o trabalho é nossa oficina/ ferramenta de criação. Cada um de nós traz consigo um potencial que precisa ser atualizado, para que nos transformemos da pessoa que somos na pessoa que podemos ser. A isso se chama realização e o trabalho é esse processo de realização. Como você trabalha, assim você vive! Considere a caminhada da sociedade de trabalho do século XXI.
Há inúmeras conquistas que devemos comemorar, avanços da ciência e da tecnologia, invenções, descobertas… Acontecimentos que nos levam a exclamar: Ôba, acertamos!!! Mas há também o que lamentar: as guerras, o desnível social, a miséria que espalha-se de forma assustadora… Reflexões que nos levam suspirar. Êpa, erramos! O que aconteceu? Será que a humanidade perdeu “o norte” em sua caminhada de busca? Esse é o mundo que temos, resultado da ação humana. A pergunta que não pode ser calada é: É esse o resultado que buscávamos? O resultado que atingimos corresponde ao que almejávamos atingir? É claro que não! As manchetes dos jornais são o nosso lamento coletivo. Ninguém sonhou ou desejou para si e para seus filhos um mundo assolado pela violência, pela corrupção, pelo desencanto… Mas, o que nos trouxe até aqui? Qual o vetor de nossas ações para que a trilha fosse essa? O século XX teve, como característica, a luta pelo poder. O estímulo para agir e desempenhar era superar o outro. A competição era a mola mestra de toda a ação, de toda a iniciativa, de toda a realização… Desde a infância o indivíduo era estimulado em família a superar os irmãos, na escola a estar à frente dos colegas, na empresa a deixar os outros para trás, na vida a conquistar a posição número 1… Qual o resultado da competição? Vencer e perder…
Na verdade perder e vencer, pois sempre para cada vencedor, haverá um número maior de perdedores. E qual o clima que se instala com esse resultado de poucos vencedores e muitos perdedores? Será um ambiente de cordialidade, harmonia, satisfação e segurança? É claro que não é e nem poderia ser. O vencedor sente-se ameaçado e constrangido pela frustração dos perdedores; estes sentem-se preteridos e injustiçados pela vida, pela sorte… O passo seguinte? Já o conhecemos: hostilidade, rivalidade, revanche, insegurança, ameaça. raiva, medo… É possível reverter isso? Queremos fazê-lo? O que se perde em não fazê-lo? A verdade é que é mais do que possível e necessária, é urgente e essencial essa reversão, sob pena de estarmos todos vencedores e perdedores caminhando para um auto extermínio. A mudança terá que ser radical e profunda, começando com uma alteração no nível de consciência.