Não fique na rotatória!

Não fique na rotatória!

Fui casada com um sagitariano sonâmbulo. Até aí, tudo bem! O grande problema é que ele adormecia enquanto dirigia e seguia dirigindo, mesmo depois de pegar no sono.

Certa vez, sonhou atropelar um tigre e, freiando o carro, foi olhar sob as rodas, na esperança – acredito eu – de expor, como troféu da estranha “caçada”, a pele do animal.
Recentemente, dando uma palestra aos profissionais de um shopping paulista, narrei aos assistentes outro episódio que vivenciei na ocasião.

Era já tarde da noite, quando saímos do escritório.. O sono e o cansaço tomavam conta de nós dois: de mim e do sagitariano. Entramos no carro, ele na direção, eu no banco ao lado, e tomamos o caminho de casa. Eu estava ansiosa por chegar: as crianças eram pequenas e a empregada doméstica havia sido contratada há pouco tempo.

Para fugir da dupla aflição – pelas crianças e pelos riscos ao lado do motorista sonâmbulo – adormeci. Estranhando a demora do percurso, abri os olhos e vi que estávamos passando em frente de um supermercado. Fechei os olhos novamente, pensando: Já vamos chegar! Minutos depois arrisquei outra espiadela para localizar-me: Passávamos em frente ao supermercado. Sonolenta, não me dei conta do que estava acontecendo. Só na terceira passagem pelo supermercado é que arrisquei a pergunta:
– Meu bem, o que está acontecendo?
E veio a resposta surpreendente:
– Não sei, estou há tempo nessa rua e não consigo sair …
Estávamos dando voltas numa rotatória.
Por que narrei isso numa palestra?
Ao longo de duas décadas atuando em consultoria de empresas e em aconselhamento de profissionais, deparei inúmeras vezes, com cenas muito semelhantes: Pessoas trilhando incansavelmente uma rotatória na estrada da vida!
· Iniciam um negócio cheios de entusiasmo e, meses depois, já estão falando em fechá-lo.
· Assumem uma função para “desta vez” acertar e, logo depois, começam a queixar-se que a história do último emprego se repete.
· Estabelecem novos vínculos com colegas, patrões, subordinados e clientes e conseguem desentender-se a seguir, tal como já aconteceu no passado.
Isso, sem falar, na história pessoal, que é um incessante recomeçar…

O pior de tudo é que essas pessoas vivem como sonâmbulos, acreditando que tudo que lhes acontece é fruto da sorte ou azar, sem perceber que são elas e ninguém mais as responsáveis pela repetição dos acontecimentos. Repetem os mesmos erros, cometem as mesmas faltas, exigem dos outros aquilo que só cada um pode dar a si mesmo … Não param! Não pensam! Não percebem o caminho.

Acordar, assumir a responsabilidade pela caminhada, aprender com os erros e acertos, tomar consciência de que cada um é o autor de sua própria história é a única forma de sair da rotatória e assumir a estrada da vida rumo ao desenvolvimento e a concretização dos objetivos.

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