Promessa é dívida, já dizia minha avó. Prometi que iríamos tratar o tema motivação com mais tempo, dada a importância do assunto. Chegou o momento. Vamos ao trabalho!
A motivação é, sem dúvida, uma das maiores preocupações de todos os líderes. Acender o entusiasmo pela ação e manter acesa a chama é, hoje, um dos maiores empenhos e questionamentos de todo aquele que tem, como objetivo, conseguir resultados através do desempenho da equipe.
Na definição mais simples, motivação é o motivo da ação. Que tipos de motivação existem? O que leva o indivíduo a agir? Essas duas perguntas nos levam a analisar a motivação quanto a:
– Forma: processo, fonte, origem do fator motivacional;
– Essência: conteúdo de tal fator. A motivação quanto à forma pode ser:
Externa ou extrínseca – quando o fator motivacional vem de fora do indivíduo, sendo apresentado a ele, como estímulo que, acredita-se, deva provocar uma resposta. Geralmente estes estímulos apresentam-se sob forma de bônus, prêmios, aplausos, elogios etc… Vulgarmente, costuma-se dizer que é a ‘cenourinha’ amarrada à frente do burro para que ele ande… A motivação extrínseca tem, geralmente, efeito efêmero, exigindo contínua reformulação.
Quando, em uma empresa, predomina a motivação extrínseca, há um exaustivo repensar de planos de incentivo, campanhas e promoções, para manter o grupo envolvido.
Interna ou intrínseca – é a motivação que vem de dentro. Decorre do nível de consciência do indivíduo. Funciona como pano de fundo do agir. Seu efeito é mais forte, profundo e duradouro que o da motivação extrínseca.
A motivação quanto à essência pode ser:
Material – quando representada por salário, aumentos, prêmios, promoções etc… A motivação material está mais ligada a fatores externos, embora tenha também relação com a motivação intrínseca.
Não-material – quando representada por valores outros que estruturam a vida do indivíduo; realização pessoal, vínculos afetivos, autoestima, satisfação em fazer bem feito…
Todos nós, ao agirmos, estamos pressionados por estes dois eixos motivacionais:
– Valores materiais;
– Valores não materiais.
A intensidade da influência de cada um desses eixos na ação, nos permite, para efeito de estudo, uma classificação do indivíduo quanto à motivação.
Desta forma teremos:
O demissionário – assim chamado porque não será o colaborador adequado para levar a empresa a cumprir a missão. Sua motivação é baixa, pois é pouco pressionado, quer por valores materiais, quer por valores não-materiais.
O mercenário – que, como a própria denominação indica, está à mercê do salário. A motivação decorrente de valores materiais nesse indivíduo é muito baixa, enquanto que o eixo dos valores materiais é o determinante na ação. Esse tipo de funcionário só faz aquilo que lhe beneficia, o que atende seus interesses pessoais, ainda que isso represente prejuízo para a empresa. Tal perfil, pela ausência de valores não-materiais, não é confiável para ocupar cargos que envolvam negociações e dinheiro. Não é o colaborador que participará com empenho para que a empresa cumpra sua missão.
O missionário – Dedicado e empenhado, esse tipo age, movido por valores não-materiais. Gosta de ajudar, servir, colaborar. Entrega-se de ‘coração’ a cada solicitação que recebe. Porém, em conseqüência da baixa pressão exercida sobre ele pelos materiais, terá dificuldade em estabelecer relação entre ‘custo e benefício’, podendo, com isso, inverter prioridades, dedicando-se ao menos importante, descuidando do essencial, comprometendo assim o resultado. Em empresas com fins lucrativos, não é esse o perfil do colaborador ideal, embora tais pessoas possam prestar grandes serviços em trabalhos de ação social.
O profissional – sofre, na ação, a pressão elevada dos dois eixos motivacionais. Tem aspirações pessoais elevadas e busca, também, o sucesso do grupo a que pertence. É cooperativo, pois tem consciência de que é um todo e parte de um todo maior. Seguramente estará trabalhando, comprometido com o atingimento geral dos resultados. É o colaborador ideal para que a empresa cumpra sua missão.
Após estas considerações, cabe a você, caro leitor o questionamento:
– Que tipo de colaborador tenho sido na empresa, considerando os fatores que me motivam?
– Como empregador, eu contrataria o funcionário que tenho sido?
– Que tipo de colaboradores formam o nosso grupo de trabalho?
– O que precisa ser mudado no clima motivacional de nossa empresa?
Reflita sobre isso, discuta com os demais, troque idéias a respeito. Vale a pena!!!
