Liguei a TV e lá estava a repórter apresentando o arquivo de uma entrevista com alguém muito ilustre. Quem era? Nada mais, nada menos que o saudoso Paulo Autran, “monstro sagrado” do teatro nacional que, na época da entrevista, estava completando 80 anos. Lá estava ele, pleno de energia, anunciando a estréia de mais uma peça. Sua espontaneidade dava brilho a cada resposta.
Em determinado momento a repórter pergunta:
– Paulo, fale aos telespectadores sobre o seu aprendizado ao longo de todos esses anos. Como foi essa caminhada?
Ao que ele responde:
– Estou cada vez mais, convencido da veracidade da afirmação socrática: “Sei que nada sei”. O que importa na vida é aprender a aprender. Sou um aprendiz!
Ao ouvi-lo, retomo mentalmente o refrão do inesquecível Gonzaguinha: “Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz!”
Essas pessoas iluminadas expressam, no que dizem e fazem, a tônica da vida: A busca do crescimento!
Tal busca é um anseio natural do ser humano. Em alguns, ela já é consciente, na maioria, porém, encontra-se ainda em fase letárgica.
O crescimento pleno é abrangente e, como tal, deve atingir o ser humano em sua totalidade.
Você, caro leitor, se está em busca de seu crescimento pessoal e do crescimento de sua equipe de trabalho, não esqueça que um bom plano de desenvolvimento deve atingir o indivíduo como um todo: no pensar, no agir, no sentir.
Jacques Delors muito bem abordou esse assunto ao falar sobre os Pilares da Educação, que nada mais são do que os Pilares do Crescimento do Ser.
Apresento, aqui, de forma simplificada esses quatro pilares e você pode, usando-os, elaborar o programa de desenvolvimento da sua empresa, ou o próprio plano de desenvolvimento pessoal.
Então, mãos-à-obra:
Primeiro pilar - Aprender a aprender (informação)
Tão bem falado e cantado por Paulo Autran e Gonzaguinha, esse primeiro pilar não consiste apenas em acumular informações, mas transformar o conhecimento em sabedoria, o que resulta em maior qualidade de vida.
O ponto de partida desse primeiro pilar é o auto-conhecimento, o perceber-se e descobrir as próprias aspirações e o potencial a ser trabalhado.
Ativa-se o “aprender a aprender” através da reflexão sobre: onde estou e onde quero estar ; como é a equipe hoje e, como queremos que ela seja … Para uma caminhada de crescimento o ponto de partida e o conhecimento de onde se está – é dali que teremos que dar o primeiro passo.
Segundo pilar – Aprender a fazer ( ação )
Se o primeiro pilar refere-se ao conhecimento, este segundo tem a ver com o comportamento.
Partindo do princípio de que ?nem todo o que sabe – faz ” e ” nem todo o que faz – sabe”, podemos crescer muito se, com referência a esse segundo pilar, fizermos a seguinte reflexão :
a) O que, daquilo que faço hoje, posso fazer melhor para otimizar meu desempenho?
b) O que eu não faço, hoje, e que devo começar a fazer para atingir melhor desempenho?
c) O que eu faço hoje e que devo deixar de fazer porque compromete o meu desempenho?
A resposta a essas três perguntas constituem um bom alicerce para construir o segundo pilar de crescimento.
Terceiro pilar – Aprender a conviver ( comunicação )
Esse terceiro pilar refere-se aos sentimentos que norteiam nossos relacionamentos. O que sinto em relação ao meu trabalho e às pessoas com quem convivo, determinam minha forma de estar no mundo. Para atingir meus objetivos, percebo nos outros “adversários” ou “aliados”?
· Como me relaciono?
· Como percebo os outros?
· Como me mostro aos outros?
· Meu modo de me relacionar com as outras pessoas, aproxima-as ou as afasta de mim?
Quarto pilar – Aprender a ser
Só trabalhando os três pilares anteriores é que crescemos e aprendemos a ser: Ser um todo e parte de um todo maior. É nesse momento que estaremos prontos para, com os demais, escrever uma história de sucesso e construir um mundo melhor para se viver.
Vamos lá ?!
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